Não mesmo.
Ser sincera na internet? Anonimato. Não eu não vou trolar ninguém, não é pra isso.
Não sou uma total anônima, eu sei, mas acredito que não tenham muitos stalkers me monitorando. Já houve época que sei que tive, mas não chamo muita atenção mesmo.
O que me trouxe devolta? Alguns momentos de insegurança apenas. Na verdade eu não sei bem se é isso mesmo. Mas heim? Complicado explicar. Eu me sinto de boa comigo mesma, me sinto legal, livre, como que adquirindo cada vez mais força e independência pra tomar minhas decisões, trabalho num lugar que me faz sentir a vontade, que sou eu mesma. Tenho gostado de mim e do meu corpo mais do que nunca, ando mais tranquila com a faculdade e com problemas que aparecem.
Mas tá, e aí? Qualé que é então? O que é, é que não acontece nada. Descobri agora que o problema nao é comigo, é com os outros. E eu não sei como melhorar essa situação.
Não posso escrever mais pelo fato de ser uma stalker também, eu sei como as coisas funcionam! As vezes o cara tá lá, aí vê a pessoa e... pãns! Cata no facebook... puutz, tá bloqueado! Mas sempre tem aquele perfil velho no orkut e... opa! um last.fm alí! Vamos ver o que essa pessoa escuta.... hmmm... curti as músicas... mas bah! tem um link pra um blog aqui! HELL YEAH! Cara tá feito, já acha o flickr, o tumblr, o fotolog antigo, acha os nicknames usados, postagens em fóruns e o diabo a quatro.
Dei uma desviada bonita do assunto, mas acho que é essa a questão mesmo. Como uma coisa leva a outra. Cá estou eu escrevendo e só nesse tempo de digitação já me deu vontade de chorar, de rir, e de fazer compras. A vida é realmente muito bizarra.
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maio 17, 2013
março 03, 2010
Sala Fantasma
Cheguei uma hora mais cedo na sala. Não havia ninguém lá ainda e as luzes estavam apagadas. Sentei-me no lugar de costume e puxei um livro para ler enquanto esperava. A porta semi-aberta deixava que os sons entrassem no recinto: uma professora falando na sala ao lado, passos de estudantes, o clique do mecanismo das luzes automáticas,as patinhas de um cachorro, caminhando vagarosamente. Sons que me davam uma incrível vontade de recostar a cabeça na classe e dormir.
Prestava atenção em cada pequeno barulho.
Já havia, há muito tempo, me desviado do livro que agora jazia sobre as minhas pernas, a página que lia, perdida sob outras que começavam a se fechar lentamente.
Uma porta fechando, pigarreios, passos, tudo tão monótono, porém me mantive interessada.
Eles se aproximavam. O som cada vez mais alto parecia vir de dentro da própria sala onde eu estava. Me virei rápido para trás, pensando por um segundo que poderia haver alguém alí. Uma bobagem, obviamente eu estava sozinha. Todas as cadeiras vazias, exceto a minha, não haveria como ter alguém escondido.
Os passos diminuiram a velocidade, o que me aliviou. contudo, o som que emitiam não pareceu diminuir, pelo contrário, pareciam ainda mais fortes e nítidos. Então parou.
Comecei a me repreender por estar tão intrigada com aquilo. Agora tudo estava tão silencioso que poderia escutar uma mosca na sala seguinte. Só que não havia mosca. Não havia nada que produzisse som, ou, se havia, eu estava ficando surda, pois o silêncio era tanto que não parecia haver alma viva naqueles arredores. Tamborilei os dedos na mesa e escutei seu som. Parecia estar abafado como se estivesse rodeado de paredes revestidas com espuma, o que nao podia ser normal, sendo que a sala era enorme e se encontrava vazia. Deveria estar ecoando.
Já me sentia mal com tudo aquilo. Levantei-me e saí correndo, sem me preocupar com os passos que recomeçaram no corredor, ou mesmo com os meus, que faziam um barulho tão alto que parecia que estava pisando num chão oco.
Sem pensar, entrei na primeira sala com a luz acesa. Parei logo que fechei a porta atrás de mim. Silêncio absoluto. TOdos os alunos, recostados em suas cadeiras, cabeças pendendo sobre os ombros, para trás ou para frente. Olhei para a professora, sentada também, o corpo apoiado por cima da mesa.
Estavam todos mortos.
Prestava atenção em cada pequeno barulho.
Já havia, há muito tempo, me desviado do livro que agora jazia sobre as minhas pernas, a página que lia, perdida sob outras que começavam a se fechar lentamente.
Uma porta fechando, pigarreios, passos, tudo tão monótono, porém me mantive interessada.
Eles se aproximavam. O som cada vez mais alto parecia vir de dentro da própria sala onde eu estava. Me virei rápido para trás, pensando por um segundo que poderia haver alguém alí. Uma bobagem, obviamente eu estava sozinha. Todas as cadeiras vazias, exceto a minha, não haveria como ter alguém escondido.
Os passos diminuiram a velocidade, o que me aliviou. contudo, o som que emitiam não pareceu diminuir, pelo contrário, pareciam ainda mais fortes e nítidos. Então parou.
Comecei a me repreender por estar tão intrigada com aquilo. Agora tudo estava tão silencioso que poderia escutar uma mosca na sala seguinte. Só que não havia mosca. Não havia nada que produzisse som, ou, se havia, eu estava ficando surda, pois o silêncio era tanto que não parecia haver alma viva naqueles arredores. Tamborilei os dedos na mesa e escutei seu som. Parecia estar abafado como se estivesse rodeado de paredes revestidas com espuma, o que nao podia ser normal, sendo que a sala era enorme e se encontrava vazia. Deveria estar ecoando.
Já me sentia mal com tudo aquilo. Levantei-me e saí correndo, sem me preocupar com os passos que recomeçaram no corredor, ou mesmo com os meus, que faziam um barulho tão alto que parecia que estava pisando num chão oco.
Sem pensar, entrei na primeira sala com a luz acesa. Parei logo que fechei a porta atrás de mim. Silêncio absoluto. TOdos os alunos, recostados em suas cadeiras, cabeças pendendo sobre os ombros, para trás ou para frente. Olhei para a professora, sentada também, o corpo apoiado por cima da mesa.
Estavam todos mortos.
fevereiro 24, 2007
Numa Aula de Química
Numa monótona aula de química, eu deveria fazer um resumo sobre algo que provavelmente esqueceria em menos de duas horas. O dia era quente e abafado, lembro como se fosse hoje, o ar parecia denso e respirar se tornava uma tarefa cansativa. Todos estavam fazendo qualquer coisa, menos a tarefa dada pela professora, uma mosca voava em torno de uma latinha de refrigerante vazia, eu desenhava na última página de meu caderno. Mesmo sentada ao lado da janela, não podia ver lá fora, pois o vidro era fosco, então apenas via os vultos passarem, imaginando quem seria o aluno que estaria matando aula.
Então aconteceu.
O som do vidro se quebrando, todos olhando na minha direção. Não há tempo de eu olhar para trás, algo se enrola em torno de meu pescoço. Algo áspero, mas ao mesmo tempo pegajoso. Um cheiro fétido invade a sala de aula, algumas garotas começam a gritar. Ee apenas vejo as pessoas movimentarem as suas bocas e acho engraçado suas caras de pânico, eu riria, se pudesse. Meu pescoço fica cada vez mais apertado e não consigo respirar. A coisa, eu percebo que é uma garra, me puxa para mais perto da janela, os estilhaços de vidro cortam meu rosto e sinto o gosto do sangue que escorre em meus lábios. As barras de ferro entre a janela machucam minha cabeça, tento me debater, mas é inútil, eu já devia saber.
Nada mais poderia ser feito. Minha mente foi entrando em torpor, a visão, se perdendo, a escuridão tomou o lugar da dor, e depois disso?
Depois disso descobri que, na verdade, eu estava dentro de uma escotilha e que a minha tarefa era digitar, a cada 108 minutos, um certo código, e depois apertar "execute". Até que eu fosse substituida por outra pessoa.
Então aconteceu.
O som do vidro se quebrando, todos olhando na minha direção. Não há tempo de eu olhar para trás, algo se enrola em torno de meu pescoço. Algo áspero, mas ao mesmo tempo pegajoso. Um cheiro fétido invade a sala de aula, algumas garotas começam a gritar. Ee apenas vejo as pessoas movimentarem as suas bocas e acho engraçado suas caras de pânico, eu riria, se pudesse. Meu pescoço fica cada vez mais apertado e não consigo respirar. A coisa, eu percebo que é uma garra, me puxa para mais perto da janela, os estilhaços de vidro cortam meu rosto e sinto o gosto do sangue que escorre em meus lábios. As barras de ferro entre a janela machucam minha cabeça, tento me debater, mas é inútil, eu já devia saber.
Nada mais poderia ser feito. Minha mente foi entrando em torpor, a visão, se perdendo, a escuridão tomou o lugar da dor, e depois disso?
Depois disso descobri que, na verdade, eu estava dentro de uma escotilha e que a minha tarefa era digitar, a cada 108 minutos, um certo código, e depois apertar "execute". Até que eu fosse substituida por outra pessoa.
janeiro 02, 2007
Já vai tarde!
Bom... terminou-se 2006 e começou 2007 (ah, sério??? ¬¬) E eu nem fiz retrospectiva nem nada.... que coisa não?
Mas invez de retrospectiva, prefiro falar de objetivos para esse novo ano, bebm melhor pensar no futuro do que no passado. E isso que me faz viajar e não me deixa dormir, é quando minha cabecinha começa a se ligar de que há coisas a fazer e que o mundo não para. Esse ano vai ser foda, já que o Sr. Vestiba tá ae e eu vou ter que me matar estudando. XD Quero aprender muito esse ano!!!
E mais um textinho sem sentido:
Faltavam cinco minutos. Suas mão, atadas com uma corda encardida, bastante firme. Sua vida dependia de alguém que não conhecia, que podia deixá-lo ali, se quisesse. Sua vida, de repende, pareceu tão curta, tão sem sentido, que só os acontecimentos mais lembrávei poderiam ser postos em um filme curta metragem. Cada segundo que passava era como uma pontada de dor, com o relógio à sua frente, podia saber exatamente quando chegaria a hora.
Faltavam quatro minutos. Uma centelha de esperança de acendeu em seu coração. Tinha fé nequele que o viria tirar daquele antro de malucos psicopatas, daquele desgosto de ter um destino tão terrível. Então as luzes se apagaram. A única fonte de luz eram os números luminosos do relógio.
Faltavam três minutos. A angústia começou-lhe a tomar conta da mente. Precisava se manter calmo, ou entraria em pânico, levado pela loucura não haveria mais porque ser salvo.
Faltavam dois minutos. Não escutava som algum e suas mão começaram a tremer descontroladamente. Tentava gritar, mas nada saia de sua boca. O pânico que tanto tentara evitar, foi mais forte, tudo que via era escuridão, só enxergava o relógio.
Faltava um minuto. Não sabia mais nada, apenas que ninguém iria ajudá-lo, só escutava o som de seu corpo se debatendo no piso úmido e áspero, a sanidade escapando rapidamente.
Então viu uma luz, muito distante, algo totalmente diferente. Levantou-se e foi caminhando até ela. Queria correr, mas a calma era tanta que apenas caminhava. Começou a sentir tudo aquilo muito estranho. Como se nunca tivesse havido luz ali, a escuridão retornou, mas não tão densa quanto antes. E então ele soube. Nunca mais sairia dali. Tratou de sentar-se e esperar.
Mas invez de retrospectiva, prefiro falar de objetivos para esse novo ano, bebm melhor pensar no futuro do que no passado. E isso que me faz viajar e não me deixa dormir, é quando minha cabecinha começa a se ligar de que há coisas a fazer e que o mundo não para. Esse ano vai ser foda, já que o Sr. Vestiba tá ae e eu vou ter que me matar estudando. XD Quero aprender muito esse ano!!!
E mais um textinho sem sentido:
Faltavam cinco minutos. Suas mão, atadas com uma corda encardida, bastante firme. Sua vida dependia de alguém que não conhecia, que podia deixá-lo ali, se quisesse. Sua vida, de repende, pareceu tão curta, tão sem sentido, que só os acontecimentos mais lembrávei poderiam ser postos em um filme curta metragem. Cada segundo que passava era como uma pontada de dor, com o relógio à sua frente, podia saber exatamente quando chegaria a hora.
Faltavam quatro minutos. Uma centelha de esperança de acendeu em seu coração. Tinha fé nequele que o viria tirar daquele antro de malucos psicopatas, daquele desgosto de ter um destino tão terrível. Então as luzes se apagaram. A única fonte de luz eram os números luminosos do relógio.
Faltavam três minutos. A angústia começou-lhe a tomar conta da mente. Precisava se manter calmo, ou entraria em pânico, levado pela loucura não haveria mais porque ser salvo.
Faltavam dois minutos. Não escutava som algum e suas mão começaram a tremer descontroladamente. Tentava gritar, mas nada saia de sua boca. O pânico que tanto tentara evitar, foi mais forte, tudo que via era escuridão, só enxergava o relógio.
Faltava um minuto. Não sabia mais nada, apenas que ninguém iria ajudá-lo, só escutava o som de seu corpo se debatendo no piso úmido e áspero, a sanidade escapando rapidamente.
Então viu uma luz, muito distante, algo totalmente diferente. Levantou-se e foi caminhando até ela. Queria correr, mas a calma era tanta que apenas caminhava. Começou a sentir tudo aquilo muito estranho. Como se nunca tivesse havido luz ali, a escuridão retornou, mas não tão densa quanto antes. E então ele soube. Nunca mais sairia dali. Tratou de sentar-se e esperar.
novembro 02, 2006
Crianças?
Ah... santa crueldade a das crianças de hoje em dia...
Quem pensou que uma criança com aquela carinha de inocente poderia fazer uma coisa dessas? Ninguém.
Mas eu vi. Vi naqueles olhinhos negros, algo mais negro que o natural. Juro que aqueles olhinhos puxados não me enganaram, e aquele sorriso enigmático, eu sabia que não era comum, aqueles dentinhos que mais pareciam pontas de uma cerrinha, pequeninos e afiados. Quando sorria, parecia que algo sobrenatural acontecia, as bochechas se inflavam, vermelhas, com sardas. Enfiada em um vestidinho ordinário estampado, aos olhos de um pessoa normal poderia parecer muito bem com a perfeita inocencia, mas eu sei o que se esconde por baixo dequeles cabelos castanhos, espessos, lisos e sem brilho. Se esconde muito mais que uma massa cinzenta em fase de aprendizado. Se esconde algo muito mais perverso e cruel que a pior mente humana.
Ela era um demônio. Aquela capetinha, eu sabia que havia algo. Sabia. Vocês opdem não acreditar em mim, mas vou lhes dizer.... Auilo não era gente, não podia ser. Algo tinha que ser feito, e eu era a pessoa mais indicada para isso, mesmo com todas aquelas pessoas que me observam o tempo todo, eu tinha que despistá-las. Sei que sempre há algum deles, nos lugares mais improváveis. Mas eu dei um jeito, mais cedo ou mais tarde eles acabam se distraindo e é quando eu posso agir.
Então fui até lá. Ela pareceia uma simples criança, com um olhar amedrontado me encarava, tentava me provocar pena, coisa que eu não tenho. De ninguém. Eu não dispunha de todo o tempo do mundo, pois eles estavam chegando, além disso meu trabalho não era tão longo, podia ser feito rapidamente, a não ser que eu fosse uma pessoa extremamente azarada. Ainda bem que tudo deu certo, graças a minha astúcia. Agora tudo está andando na linha novamente. E sei que eles não sabem de nada. Pelo menos eu espero que seja assim, mas se ele soubessem, já teriam me eliminado, e como isso não aconteceu, estou a salvo.
Minha cela está cada vez mais apertada, parece diminuir. Ou sou eu que estou aumentando de tamanho? De qualquer forma... essas paredes parecem mais duras, antigamente os forros eram mais macios, acho que a espuma está gasta. Acho que afinal eles acabaram me capturando, de algum forma. Só há um porta nessa sala, branca, e com uma pequena janela de vidro reforçado. Tem alguém lá do outro lado.
Eu não quero ver quem é. Tenho certeza que esquela filha da mãe voltou pra me buscar e levar-me para a tortura mais cruel de todas as torturas que já foram inventadas, mas ela não vai conseguir. Eles me vigiam ao mesmo tempo que me protegem de tudo isso. As paredes são forradas, a porta é forte o bastante, estou perfeitamente segura. Ela nunca vai passar. Ela nunca...
Eu sonho com isso todo o tempo, quero que ela pare, mas é impossível, algo está estranho. Preciso acabar com isso, mas não deixam. Vivam a vida de vocês, mas tomem cuidado, não cruzem o caminho daquela coisa. Aquela que se parece com um anjinho de longe, mas de perto, se você olhar bem, vai sentir que algo muito ruim está ali dentro, algo invisível, mas que produz mais devastação que uma bomba atômica. eles não estão aí para cuidar de você, eles já estão ocupados o bastante comigo, e você está aí, sozinho, tome cuidado. Só isso que tenho a dizer e repetir: tome cuidado.
Quem pensou que uma criança com aquela carinha de inocente poderia fazer uma coisa dessas? Ninguém.
Mas eu vi. Vi naqueles olhinhos negros, algo mais negro que o natural. Juro que aqueles olhinhos puxados não me enganaram, e aquele sorriso enigmático, eu sabia que não era comum, aqueles dentinhos que mais pareciam pontas de uma cerrinha, pequeninos e afiados. Quando sorria, parecia que algo sobrenatural acontecia, as bochechas se inflavam, vermelhas, com sardas. Enfiada em um vestidinho ordinário estampado, aos olhos de um pessoa normal poderia parecer muito bem com a perfeita inocencia, mas eu sei o que se esconde por baixo dequeles cabelos castanhos, espessos, lisos e sem brilho. Se esconde muito mais que uma massa cinzenta em fase de aprendizado. Se esconde algo muito mais perverso e cruel que a pior mente humana.
Ela era um demônio. Aquela capetinha, eu sabia que havia algo. Sabia. Vocês opdem não acreditar em mim, mas vou lhes dizer.... Auilo não era gente, não podia ser. Algo tinha que ser feito, e eu era a pessoa mais indicada para isso, mesmo com todas aquelas pessoas que me observam o tempo todo, eu tinha que despistá-las. Sei que sempre há algum deles, nos lugares mais improváveis. Mas eu dei um jeito, mais cedo ou mais tarde eles acabam se distraindo e é quando eu posso agir.
Então fui até lá. Ela pareceia uma simples criança, com um olhar amedrontado me encarava, tentava me provocar pena, coisa que eu não tenho. De ninguém. Eu não dispunha de todo o tempo do mundo, pois eles estavam chegando, além disso meu trabalho não era tão longo, podia ser feito rapidamente, a não ser que eu fosse uma pessoa extremamente azarada. Ainda bem que tudo deu certo, graças a minha astúcia. Agora tudo está andando na linha novamente. E sei que eles não sabem de nada. Pelo menos eu espero que seja assim, mas se ele soubessem, já teriam me eliminado, e como isso não aconteceu, estou a salvo.
Minha cela está cada vez mais apertada, parece diminuir. Ou sou eu que estou aumentando de tamanho? De qualquer forma... essas paredes parecem mais duras, antigamente os forros eram mais macios, acho que a espuma está gasta. Acho que afinal eles acabaram me capturando, de algum forma. Só há um porta nessa sala, branca, e com uma pequena janela de vidro reforçado. Tem alguém lá do outro lado.
Eu não quero ver quem é. Tenho certeza que esquela filha da mãe voltou pra me buscar e levar-me para a tortura mais cruel de todas as torturas que já foram inventadas, mas ela não vai conseguir. Eles me vigiam ao mesmo tempo que me protegem de tudo isso. As paredes são forradas, a porta é forte o bastante, estou perfeitamente segura. Ela nunca vai passar. Ela nunca...
Eu sonho com isso todo o tempo, quero que ela pare, mas é impossível, algo está estranho. Preciso acabar com isso, mas não deixam. Vivam a vida de vocês, mas tomem cuidado, não cruzem o caminho daquela coisa. Aquela que se parece com um anjinho de longe, mas de perto, se você olhar bem, vai sentir que algo muito ruim está ali dentro, algo invisível, mas que produz mais devastação que uma bomba atômica. eles não estão aí para cuidar de você, eles já estão ocupados o bastante comigo, e você está aí, sozinho, tome cuidado. Só isso que tenho a dizer e repetir: tome cuidado.
outubro 28, 2006
PiuÃ.
Piuí.
Arthur nunca chegou a voltar para casa.
Sabia que a pior parte chegaria em alguns instantes, restando-lhe apenas alguns segundos para que sua vida fosse completamente revista, desde o nascimento até agora. Um cheiro cinzento entrava pela pequena fresta na janela traseira, o crucifixo, pendurado no espelho retrovisor, balançava agitadamente, como em uma suplicante negação. Escutava ao longe um suave apito. Era o aviso.
O aviso de que o fim estava próximo e não havia mais como voltar atrás, se quisesse sair, era preciso sair do transe que aquele som lhe provocava, o que era impossivel em tal momento.
Olhava para o crucifixo e via a sua vida inteira de mentiras, precisava livrar-se das provas, e ele era a prova, as esmolas que recebera não valiam mais, não passavam de mais mentiras, tudo parecia tão irreal, já não tinha noção da verdade, só sabia que a prova devia completar-se para que o mundo pudesse viver com menos um sacana.
O apito ficava mais forte a cada segundo, a cada segundo... nada pararia aquela fúria que corria continuamente, com seu som agudo e seu rastro cinzento. "Check, check... Piuí!" Dizia, como num aviso. Nada o faria parar, nada o impediria de continuar. Passaria por cima de qualquer um, se fosse preciso.
E Arthur não podia suportar quelhe passassem por cima. Por isso tinha escolhido este como seu fim.
Mas não podia. Simplesmente não podia. Não conseguia imaginar-se sendo esmagado em seu carro, em meio aquela lataria de luxo, não suportava a idéia das grandes rodas de aço esmagando seu crânio como uma frágil esfera de vidro.
Por isso, Arthur girou a chave na ignição, deu a partida, acelerou, e foi para bem longe dali.
O apito veio e foi, como sempre, imponente, gritante, esperando por um obstáculo para esmagar e purificar.
Arthur nunca chegou a voltar para casa.
Sabia que a pior parte chegaria em alguns instantes, restando-lhe apenas alguns segundos para que sua vida fosse completamente revista, desde o nascimento até agora. Um cheiro cinzento entrava pela pequena fresta na janela traseira, o crucifixo, pendurado no espelho retrovisor, balançava agitadamente, como em uma suplicante negação. Escutava ao longe um suave apito. Era o aviso.
O aviso de que o fim estava próximo e não havia mais como voltar atrás, se quisesse sair, era preciso sair do transe que aquele som lhe provocava, o que era impossivel em tal momento.
Olhava para o crucifixo e via a sua vida inteira de mentiras, precisava livrar-se das provas, e ele era a prova, as esmolas que recebera não valiam mais, não passavam de mais mentiras, tudo parecia tão irreal, já não tinha noção da verdade, só sabia que a prova devia completar-se para que o mundo pudesse viver com menos um sacana.
O apito ficava mais forte a cada segundo, a cada segundo... nada pararia aquela fúria que corria continuamente, com seu som agudo e seu rastro cinzento. "Check, check... Piuí!" Dizia, como num aviso. Nada o faria parar, nada o impediria de continuar. Passaria por cima de qualquer um, se fosse preciso.
E Arthur não podia suportar quelhe passassem por cima. Por isso tinha escolhido este como seu fim.
Mas não podia. Simplesmente não podia. Não conseguia imaginar-se sendo esmagado em seu carro, em meio aquela lataria de luxo, não suportava a idéia das grandes rodas de aço esmagando seu crânio como uma frágil esfera de vidro.
Por isso, Arthur girou a chave na ignição, deu a partida, acelerou, e foi para bem longe dali.
O apito veio e foi, como sempre, imponente, gritante, esperando por um obstáculo para esmagar e purificar.
Delete.
Delete.
Delete tudo da sua vida, tudo da sua internet, tudo o que lhe vier à mente.
O perigo está em toda a parte. Todos sabem disso, o que não impede que arrisquem suas vidas em todo o tipo de bobagem. Mas eu não.
Antes de qualquer coisa, vou apagar o que eu puder lembrar de que tenho. Todas aquelas malditas 754875628357 coisas que ficam tremendamente espalhadas por aí, como casas abandonadas, devem sumir. Só apertar naquele botão... Como é mesmo? Ah! O Delete. Isso é ótimo, dá uma leveza, uma sensação de que você apagou uma parte de si (talvez não seja bem assim), mas pelo menos você se livrou de toda aquela "bagoça" (humm... gíria inventada na hora?), agora não há mais com o que se preocupar, não há ninguém atrás de você, não é preciso olhar para trás, nem para o reflexo na janela. Está tudo limpo.
É com deleite que eu vos deleto.
Você pode dormir tranqüila agora, minha querida.
Delete tudo da sua vida, tudo da sua internet, tudo o que lhe vier à mente.
O perigo está em toda a parte. Todos sabem disso, o que não impede que arrisquem suas vidas em todo o tipo de bobagem. Mas eu não.
Antes de qualquer coisa, vou apagar o que eu puder lembrar de que tenho. Todas aquelas malditas 754875628357 coisas que ficam tremendamente espalhadas por aí, como casas abandonadas, devem sumir. Só apertar naquele botão... Como é mesmo? Ah! O Delete. Isso é ótimo, dá uma leveza, uma sensação de que você apagou uma parte de si (talvez não seja bem assim), mas pelo menos você se livrou de toda aquela "bagoça" (humm... gíria inventada na hora?), agora não há mais com o que se preocupar, não há ninguém atrás de você, não é preciso olhar para trás, nem para o reflexo na janela. Está tudo limpo.
É com deleite que eu vos deleto.
Você pode dormir tranqüila agora, minha querida.
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